Pela primeira vez -- pelo menos que eu me lembre -- passarei um aniversário do meu pai longe dele. Este é, sobretudo, um aniversário especial, porque precede um evento que será também muito importante para ele, e, portanto, para mim; enfim, para nossa família. E a primeira vez que ele se candidata a vereador da nossa querida Belém. Eu sinceramente já estava cansado de ver políticos e detentores de poder, com raras exceções, em quem não pode se
confiar; que usurpam a cidade, o país; ou que simplesmente não sabem gerir, não têm boas idéias; não têm visão. E eu pensava, de vez em quando, como seria se eu me candidatasse um dia a um cargo público: as coisas que eu poderia fazer, como eu poderia contribuir com os meus conterrâneos, com a minha cidade. E, finalmente, meu pai chegou um dia em casa e nos anunciou que ele se candidataria a vereador.
Eu sou muito suspeito para dizer que o meu pai é tudo isso. Mas o fato é que, como morador do Teresa Borsoi, o condomínio que ele gera como síndico, eu posso dizer a mesma coisa. Lá ele mostrou -- e eu acompanhava um pouco de seu trabalho no computador do meu quarto e do meu irmão, onde ele organizava seus documentos; agora ele organiza mais no computador do escritório -- o que uma gestão livre de interesses pessoais, e com boas idéias, pode fazer. Com uma mensalidade mínima e com produção total, ele otimizou a gerência do condomínio. Construiu um salão de festas, reformou a quadra, aproveitando o excedente de grama sintética da Arena da Pedreira -- outro gestor poderia simplesmente vendê-la ou estocá-la --, construiu um playground para as crianças, reformou a lixeira (nada mais de baldes de lixo na frente do prédio),
reduziu os gastos com pessoal, etc. Em casa, depois da inevitável popularidade que ele ganhou no condomínio, nós o aconselhávamos a candidatar-se a algum cargo público elegível, porque Belém precisava de alguém assim -- portanto, nós, como belenenses, também precisávamos -- e porque ele já conhecia tanta gente que é impossível sair com ele por Belém sem ele falar com cerca de pelo menos um amigo na rua. Ironicamente, quando eu consegui essa oportunidade de estudar aqui longe foi justamente no ano em que ele lançou sua candidatura. E daqui eu não posso votar nele.
Elielson Cardoso, meu pai, é uma pessoa muito altruísta. Tão altruísta a ponto de muitas vezes eu achar estranho até que ponto ele poderia fazer algumas coisas pelas outras pessoas sem esperar receber absolutamente nada delas -- e eu constatava que ele não esperava mesmo porque eu lhe perguntava. Ele realmente gosta das pessoas e de fazer novas amizades, por isso ele tem incontáveis amigos. Ele me ensinou muito, não necessariamente através de conversas, mas de atos, sobre como se relacionar bem com as pessoas. Muitas boas lições eu tive da minha mãe, mas nesse assunto, o meu pai é mestre, e de uma maneira natural.
Um dos ensinamentos dele, que eu aprendi lhe observando, é simplesmente aquela sua característica já repetida aqui várias vezes: gostar das pessoas; de fazer e ter bons amigos, sem interesses, de todas as classes sociais, de todas as culturas, de todos os tipos.
Além disso, ele me ensinou também, por exemplo, a preparar arroz com alho. E isso me têm sido bastante útil aqui :). Eu devo muito a ele. Pai, você é um bom exemplo para mim. Seja feliz, como você sempre foi, nos tantos próximos anos de sua vida!! Mesmo longe, estou com você em pensamento.
Obs.1: Por uma questão de conveniência e de que eu gostaria muito que eu meu pai se eleja, aqui está o seu número de candidato a vereador de Belém: 23 533 (Elielson da Pedreira).
Obs.2: As comidas brasileiras e regionais que serão serão servidas na comemoração do seu aniversário bem que irião muito bem aqui :)! Infelizmente não posso ter o prazer imenso de degustá-las.
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2 comentários:
é valber, eu tbm acho que o seu pai faria uma ótima representação como vereador de nossa cidade, do mesmo modo como administra bem o nosso prédio.
eu não votei esse ano, mas o voto da mamãe pra ele foi garantido. :)
muito obrigado pelo apoio, Suzane!
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