segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fim de semana de Integração e novas sensações

Este último fim-de-semana foi como um ponto de inflexão para mim durante a minha estadia nesta cidade e neste país. Há quase um mês na França, em Limoges, eu participaria finalmente desse momento de confraternização dos estudantes da 3iL do qual eu já "ouvia falar" há tempos no Brasil, em Belém. Eu sabia que muita coisa poderia me parecer estranha, porque a cultura dos estudantes aqui muito provavelmente seria diferente da dos estudantes brasileiros. Dizia-se, por exemplo, que nesse fim de semana, os calouros beberiam como nunca e não se conseguiria dormir -- se bem que se conhece esse tipo de coisa das universidades do sul e sudeste do Brasil...
Ocorre que recebemos, eu e meu xará, um convite de amigos brasileiros de Paris para uma feijoada que aconteceria na residência dos estudantes e, oportunamente, para conhecer a cidade das luzes, tudo isso no mesmo fim de semana da "weekend d'intégration". Receoso das possíveis bizarrices que pudessem ter lugar nesse fim de semana no campo, e aproveitando o momento para conhecer a capital do país mais visitado do mundo e rever conterrâneos e amigos, o Walber decidiu aceitar o convite dos amigos brasileiros. Eu fiquei bastante tentado também, mas a minha presença na festa dos alunos já era uma pretensão desde o Brasil e um momento bem interessante para cultivar as amizades dos (das) meus (minhas) colegas de curso. E eu sabia que aquela não seria a única feijoada da qual poderíamos participar. Então, me abneguei da festa dos brasileiros e de conhecer Paris, mas sem nenhum ressentimento maior por isso.
A pequena cidade rural onde aconteceu o evento, Biron, do departamento de Dordogne era relativamente longe de Limoges, do departamento de Limousin, e a viagem de ônibus demorou cerca de 3h40min. No caminho, muitos campos e florestas. Pude constatar que nem só de grandes cidades a França é constituída, pois, embora muitos dos produtos agrícolas sejam importados, os franceses também têm o seu quinhão em alguma produção desse tipo. Além da paisagem que se podia ver dentro do ônibus, canções foram entoadas -- cujas letras podiam ser acompanhadas por um breviário dado a cada passageiro; também foi realizada uma pequena apresentação dos novos estudantes, encabeçada pelos organizadores da viagem, o pessoal do diretório dos estudantes.
O lugar onde ficamos era bem maior do que eu imaginava. Tinha piscina coberta e descoberta, lago onde se podia praticar caiaque, quadra polivalente e de tênis e campos abertos, além de uma área de recepção onde aconteceram as refeições e a festa de abertura. Havia muita gente. Cerca de mais de 80 pessoas.
Realmente, na sexta eu bebi muito, mas não extrapolei a ponto de perder a consciência. De fato, para mim, que sou do segundo ano do curso, a festa não foi tão intensa quanto para os calouros do primeiro ano e na noite seguinte considero que dormi até bem cedo. Em resumo, foi uma experiência interessante. Além disso, sem o meu amigo brasileiro por perto, vi-me forçado a falar, ouvir e pensar em francês, e, ao final do fim de semana, eu percebi uma melhora notável na minha fluência.
Na volta, senti pela primeira vez em terras não-brasileiras o sentimento de voltar para casa depois de uma viagem, a casa onde vivo atualmente. Esse sentimento tem uma representação muito peculiar, ele é o ponto de inflexão que mencionei, pois foi a partir daí, sentindo um laço de amizade mais forte entre os colegas do curso, e uma espécie de nostalgia da viagem mas ao mesmo tempo alívio de voltar para casa, que eu percebi que estava realmente morando aqui.

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