quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Il neige (finalement) à Limoges!


Eu estava jantando quando olhei para fora de casa, pela janela fechada, e vi algo que parecia ser um sinal de cansaço de vista. A previsão do tempo tem acusado frequentemente neve em Limoges, neve, neve e neve, mas nunca de fato vimos nevar -- à exceção de um alguns minutos quando fui à 3iL de manhã cedo e fazia -1°C. Naqueles minutos, a chuva se transformou em uma tímida neve que demorou cerca de dez minutos para desaparecer. Até hoje, parecia que os indicadores meteorológicos estavam se recusando de propósito a perceber o que qualquer pessoa poderia simplesmente com os olhos: não nevava aqui em Limoges de fato.
O prato já estava no final, e decidi verificar se aquilo não podia ser, finalmente, a neve. Ao me aproximar, vi cair aquele conjunto inumerável e espesso de flocos. Os carros estacionados na calçada começaram a ficar rapidamente cobertos de neve. Eu corri até a porta do quarto do Walber, que não tinha ainda experienciado esse símbolo do inverno, como eu tinha naquele dia no caminho à 3iL, para avisá-lo, com alegria, que estava nevando. Ele estava se recuperando de uma dor-de-cabeça forte, mas se levantou prontamente, entusiasmado para constatar que o que eu dizia era verdade. Então fomos dar uma olhada pela janela e lá fora estava tudo branco.
O Walber sugeriu que saíssemos e eu, sem pensar duas vezes, concordei. Cada um com sua câmera na mão e devidamente empacotado, saímos. Ao dar os primeiros passos no asfalto já senti o pé escorregar um pouco. Comecei a tirar fotos verdadeiramente maravilhado com o fenômeno que eu presenciava pela primeira vez em sua plenitude. Dessa vez era pra valer. Seria uma boa idéia, ver como o parque estava, lembrou mais uma vez o Walber. E lá fomos nós.
Um manto branco repousava sobre o gramado e as árvores, cada vez mais alvejado pelas plumas que caiam do céu. Mais ocasião para tirar mais fotos. Foi muito bonito; emocionante. E aqui as provas (as minhas fotos não têm flash porque eu, em algum momento antes, inadvertidamente mudei a configuração da máquina para tirar um conjunto de fotos sucessivas, o que me impedia de usar o flash):

Rue des Carriers.

Eu, ainda na Rue des Carriers


Escreva o que você quiser -- Parc d'Auzette

Neve (a foto sem flash tem baixa qualidade para registrar a neve) no Parc d'Auzette

Foto do parque (tirada pelo Walber)

Walber, mostrando um carro escuro que ficou claro -- Rue des Carriers, na volta do parque d'Auzette

Neve ao fundo.




Primeira neve em Limoges.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fotos! - La Revanche

Caros leitores,

Finalmente, mais fotos de Berlim!

V.


Pátio da frente do terminal ferroviário (Hauptbahnhof)


Parece que os caras apareceram lá só para eu tirar a foto e, depois, foram embora

Bundestag (parlamento). No canto superior direito, um balão.

Ainda o Bundestag. Na fachada, está escrito "Dem Deutschen Volke" ("Ao Povo Alemão").

Andando mais à frente, ao lado do Budestag, tem-se esta construção e este rio, que dividia as Alemanhas Oriental e Ocidental.


Pessoas morreram tentando fugir da Alemanha socialista.

Provavelmente algum anexo do Parlamento. E só virar as costas de onde eu estava na foto anterior. Sobre as paredes de vidro, os primeiros artigos da Constituição alemã. "Todos os homems são iguais perante a lei..."

Dentro do prédio com um círculo na frente como característica arquitetônica
existe essa obra em memória aos que foram assassinados na tentativa de cruzamento da fronteira Alemanha Oriental - Alemanha Ocidental. Cada placa de muro conta os mortos registrados de cada ano.

"Desde a criação do muro em 13 de agosto de 1961, indivíduos, bem como instituições, reuniram informações sobre pessoas que morreram na tentativa de fugir. Suas investigações meritórias fundamentam os dados de quantidade mostrados neste Memorial do Muro.
Não somente aqui em Berlim e em todo o interior dos limites alemães, pessoas foram mortas tentando fugir, mas também muitas que tentaram atravessar o Mar Báltico ou fronteiras não-alemãs..." tradução livre.



Na rua Unter den Linden, a mais famosa de Berlim, havia esta exposição de conceitos de carros da Peugeot.

O Monumento do Holocausto (Das Holocaust Mahnmal).


O balão que se podia ver na foto do Bundestag.

O Brandenburgertor (embaixo da estátua sobre uma carruagem) de uma perspectiva incomum.

As regras estavam debaixo de nossos pés: pisar ou saltar sobre os blocos é proibido.

Prontamente o zelador interveio.

Alguns pedaços do Muro de Berlim na frente do terminal ferroviário do Postdamer Platz.

Obra de uma artista norte-americana. Tem a ver com o esporte boxe. Pena que eu não me lembre o nome dela.

Museu da antiga RDA (República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental). Essa área tem a ver com a espionagem existente na época. No museu, pode-se tirar um dos telefones do gancho e ligar para um número que é indicado num folheto da parede. Então outro telefone do museu toca e um outro visitante pode atender. Após alguns segundos de conversação, a conversa é interceptada.

Depois de comer um currywurst com um pouco de glühwein no frio berlinense, passamos por essa igreja. Agora não me lembro o nome :P

Wall-E em Berlim? Se você tiver -1 ano, não dá.
Obs.: "ab 0 Jahren" = "a partir de 0 anos" :P

Mais um pouco do Muro.

Visto de cima da torre de detrás, dentro da qual há um outro pequeno museu sobre a RDA.

Para quem gostou do balão do jornal Die Welt. No canto esquerdo, dois de um conjunto de Trabants (o carro usado na RDA) de um grupo de "amigos do Trabant" (trabi, para os mais chegados) :P.

Um cara fazendo um discurso entusiasmado, em inglês, sobre alguma coisa com Hitler para um grupo de pessoas num museu a céu aberto sobre a Segunda Guerra.

A última imagem que ficou de Berlim. Um café com conhecidos (não são os da foto) numa Starbucks.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fotos!

Caros leitores,

Observem as novas fotos que foram adicionadas ao post "Leipzig" e ao post "Retorno a Limoges" (em breve, mais fotos deste último).

Com estima,
V.

Retorno a Limoges



Esses dez dias que passei na Alemanha são inesquecíveis. Foi sobretudo um período de reflexão. No momento da partida, ficou a minha vontade de ficar mais um pouquinho, mas a determinação de que já era hora de voltar.
Eu nem desconfiava da pequena aventura que me esperava entre sair de Leipzig e chegar a Limoges.
O trem para Frankfurt foi muito bem, nada da confusão do último trem que peguei para chegar a Leipzig, que naquele momento se deu em decorrência da retirada de muitos vagões para revisão de segurança.
Se o tempo era um pouco nublado e com neblina no começo do dia, pela tarde, durante a viagem, o sol apareceu e iluminou as campanhas que se podiam ver pela janela. A cada cidade em que o trem parava, o maquinista pedia desculpas pelos atrasos. Finalmente, quase chegando a Frankfurt, mais uma vez o maquinista anunciou a chegada e, segundo entendi, ele ainda informou que os passageiros que fariam conexão com Paris, trem que sairia às 16:58,
deveriam esperar até às 18:00 por causa -- muito provavelmente -- do atraso do trem atual.
Na chegada, desci tranquilamente do trem e fui com a mesma calma atrás de uma tabela com os horários das partidas do dia. Localizei o trem para Paris e vi que a sua plataforma era a 18. Comecei a procurar, então, enquanto andava para sair da plataforma em que eu estava, algum ferroviário que pudesse me dizer onde ficava a 18. Achei dois que conversavam à porta do trem de que eu cheguei e lhes perguntei como chegar lá. Segui as suas instruções e, quando cheguei na plataforma 18, indicada por um painel eletrônico posicionado em cima da sua entrada, li
"Paris - l'Est". Dei um passo. No segundo passo o trem suavemente começou a partir. Por alguns instantes minha mente ficou completamente confusa, sem saber se aquele trem era o meu ou se era algum trem que já estava lá há algum tempo e tinha partido para dar lugar ao trem em que eu embarcaria mais tarde -- teria eu entendido mal a mensagem do maquinista?! Ora, ele disse 18, mas era a plataforma e não o horário! Só podia ser! Ou não? Na plataforma, só havia uma senhora com uma criança que brincava em cima de um carrinho de bagagens. Cheio de esperança de encontrar uma resposta acalentadora, perguntei se ela sabia para onde aquele trem tinha partido. Ela me respondeu que não sabia. Mas o que fazia uma pessoa lá sem saber para onde o trem ia?! Eu me perguntava silenciosamente. Ela continuou, olhando para cima para o painel eletrônico, agora atrás de mim: "Talvez a Paris, não sei". Eu olhei para trás e não vi mais nada escrito além do número da plataforma, andei, suando frio, para a frente da plataforma e na frente do painel também o destino "Paris - L'Est" tinha sumido. Sem querer acreditar naquilo, saquei o celular para ver as horas. Eram 17:02. De acordo com o bilhete, o trem deveria ter partido às 16:58... Não restavam dúvidas: eu tinha perdido o trem. Alguns instantes sem nada na mente, a não ser o ruído da multidão, e a imagem do painel que os meus olhos incrédulos fixavam com teimosia.
Primeira coisa à mente: "vou voltar ainda hoje, custe o que custar". Segunda coisa: "Vou procurar um balcão de informações".
Encontrei o balcão. Falei a situação à atendente, através do meu alemão enferrujado, mas já um pouco polido depois de dez dias de tentativas de readaptação -- o mesmo alemão enferrujado que, por causa do mal-entendimento do recado do maquinista, me custou esse contratempo. Como o trem do qual eu cheguei estava atrasado, consegui um pedido assinado por ela de um reagendamento de viagem para as 19:01. Fui à central de viagens (Reisezentral). Entreguei o pedido, obtive o reagendamento sem problemas. Agora eu tinha ainda uma hora e alguns minutos
em Frankfurt. Resolvi procurar trocar o dinheiro em reais, mas a taxa ainda era desfavorável. Desisti. Então me restou dar uma volta em torno do Hauptbahnhof (terminal principal). Logo pude ver alguns prédios imensos do centro financeiro da Alemanha. Fiquei, como diz-se em Belém, patetando lá fora, parado, com uma mala grande e uma maleta. Como me ocorreu nas cidades grandes por onde passei (Paris e Berlin), um cara meio alto veio me pedir dinheiro em alemão. Para escapar, eu fingi que não sabia falar alemão; que eu não estava entendendo, dizendo em inglês "sorry, I don't understand..." Pois ele me pediu em inglês. E um inglês falado de uma maneira errada, mas que demostrava um conhecimento tal da estrutura da língua para tentar inventar uma palavra a partir de derivação verbal usando o gerúndio: "eating" na tentativa de dizer "alimentation". Pasmo, neguei outra vez, e ele se foi. Reentrei na estação, meio intimidado, e fui dar uma volta dentro dela. Achei uma livraria e entrei. Fiquei lá até poucos minutos antes de o trem sair. Embarquei no trem aliviado. A viagem foi na paz.
Cheguei em Paris às 22:40, louco para ir logo trocar a minha passagem do trem para Limoges, mas na estação Austerlitz parecia não haver mais quase ninguém além de nós, que desembarcávamos. Todas as lojas fechadas. Comecei a andar apressado, com medo de que o balcão de informações pudesse também estar fechado. Descendo alguns degraus avistei um balcão de informações. Fechado. Olhei para trás, e lá havia outro, com um atendente apenas e uma fila aparentemente intimidante para quem estava com tanta pressa. Quando chegou a minha vez, eu falei sobre a minha situação, sentido o meu francês como uma comida gelada que se retoma após ter sido interrompido por algo inesperado durante a refeição. Ele me disse que eu deveria resolver isso na Gare de l'Est e para isso eu deveria comprar a passagem do mêtro com ele. O mêtro de Paris é algo estranho. Você sabe que naqueles bancos passa gente do mundo inteiro todo tempo. E são pessoas com os mais variados rostos.
Chegando na estação l'Est, de onde eu vim para ir à Alemanha, eu logo fui ao balcão de informações correndo, fazendo o trajeto inverso de quando eu cheguei na estação na ida à Alemanha, sem saber se a sala estaria aberta ou não. Ainda bem, ela estava, mas, sem contar a recepcionista e o segurança, não havia ninguém. Falei a ela da minha situação. Aí veio a
resposta decisiva: viagens a Limoges só a partir do outro dia, sendo a primeira às 06:41. Fim da linha.
Eu tinha que passar a noite em Paris. Mas onde? Tenho alguns conhecidos de Eng. Mecânica em Paris da UFPA que estão no mesmo projeto de cooperação que eu, mas eu nem tinha os números deles no meu celular, nem em lugar nenhum. Eu não estava preparado para isso. Eu e o Walber conhecemos por email um ex-aluno da 3iL que entrou em contato conosco quando estávamos no Brasil e que mora em Paris, mas eu também não tinha registrado o número dele no celular. Eu me senti um pouco imbecil de não ter me precavido para isso, mas, pronto, também não se pode contar com tudo e assim se aprende a não errar de novo, sempre. Eu tinha
que achar algum lugar o mais barato possível só para dormir aquela noite. Perguntei à mulher onde eu podia ficar e ela disse que havia hotéis a preços acessíveis perto da Gare de Lyon. Ela me olhou compadecidamente e perguntou se eu não queria passar a noite na sala de espera. Eu disse que sim. Bom, pernoitar lá não seria de todo mal, pensei. Além do mais, para sair às 06:41, antes não arriscar se perder no caminho ou demorar ou algo assim e piorar a situação. Fui à sala de espera e mais tarde ela me trouxe uma garrafa de água e, depois, uma caixa de refeição própria para esses casos de espera prolongada. Comia e pensava que tudo o que eu tinha de fazer depois era me sentar numa cadeira detrás do fino biombo fumé que ficava no fim da sala (a sala de espera e o serviço de informações têm paredes de vidro) e relaxar, tentando dormir para logo mais tarde estar finalmente voltando para casa.
Depois dos incômodos do cara da limpeza, que ficou calado mas precisou de todo o espaço do lugar, e dos seguranças africanos que falavam alto e entraram na sala para medir a parede com um aparente objetivo de constatar alguma coisa da sua discussão pessoal, eu fiquei sozinho e a mulher, antes de ir embora, desligou as luzes da sala.
Começou a fazer frio. Vesti o casaco, coloquei as luvas e eu já estava com o cachecol. Cochilei um pouco, sempre sentado, e continuei com frio. Cobri a minha cabeça com o gorro e a proteção do casaco. Cruzei os braços. Fechei o casaco ao máximo. Olhei para o relógio da parede e ainda eram 2:00. Cochilei. Ainda eram 3:00. Faltavam ainda 3 horas e 41. Que frio! Eu não consguia encontrar uma posição confortável e ficava alternando de posição a cada dez ou vinte minutos. Olhos secos de sono e pesados, mas nenhum sono tranquilo; só muitos cochilos ou momentos de olhos fechados. Foi uma noite péssima. O tempo foi passando e houve um cochilo que foi o mais demorado. Acordei à voz de um cara com sotaque não-francês, aparentemente um sotaque africano ou simplesmente articulava com a boca fechada, que falava com alguém no celular. Na fila de cadeiras do biombo da frente. Eram quase cinco. Ele se reclamava que a moça não tinha lhe buscado. Ele deu um tempo. Mais tarde, cinco e alguma coisa, ele recomeçou a discutir com a moça do telefone (pude ouvir algumas vezes a voz dela). Assim foi até que depois da metade das cinco, ele saiu. Decidi que sairia da sala de espera (para onde não se podia voltar, pois o sistema da porta fechada só permitia a saída) às 06:00. Fui em direção à caixa de refeições para comer a sobremesa que eu tinha deixado. Eu também tinha lanche na mala, mais preferi não abrir. Eu só
queria pegar o mais rápido possível o trem para Limoges. Cerca de menos de vinte minutos antes da seis eu saí, porque vi uns ferroviários conversando lá fora e não queria perder a oportunidade de lhes perguntar onde eu poderia trocar o bilhete. O gentil sujeito, que me pareceu familiar (talvez eu me lembrasse do rosto dele na minha viagem de ida), me disse que eu deveria estar às 06:00 em ponto na central de atendimento para fazer o procedimento de troca. Fui até lá. Quase ninguém na estação. As seis em ponto a central abriu, eu fui o primeiro a entrar da pequena fila de cerca de 5 pessoas que se formou na frente. O procedimento foi bem rápido e já eu tinha o meu novo bilhete com um número de poltrona e tudo. Fui alegremente à plataforma, ficar à espera do trem. Quando eu cheguei lá, o trem também já estava e eu, um pouco traumatizado, comecei a correr para entrar logo, mesmo que faltassem ainda aproximadamente de 40 minutos para a sua partida. Cheguei ao meu lugar, me instalei e tratei logo de me acomodar na poltrona, bem mais confortável e quente do que aquela cadeira dura da sala de espera, para tentar ir dormindo na viagem. Vi também que uma moça da poltrona de trás e do outro lado do corredor e o rapaz da sua frente faziam o mesmo. Nós três tínhamos a poltrona do lado livre, então pudemos ir tranqüilos. Que alívio! Eu bem sabia que eu ia perder a aula, e perder uma aula aqui é uma falta grave, mas eu ainda tinha crédito e o que importava era que aquela agonia tinha terminado.
Não consegui dormir, mas sem dúvida relaxei bastante. Cheguei às 09:31 na Gare de Limoges.
Cansado, mas feliz pelo feito.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Leipzig

Esta é uma cidade verdadeiramente bonita. Nunca tinha estado em uma cidade assim antes. Limoges é diferente do que eu já conhecia, mas decerto muito menos diferente do que Leipzig. Os parques permeiam a cidade. Daqui onde estou hospedado, sempre é possível pegar um caminho pelo parque. Lá é certo encontrar mães passeando com seus bebês em qualquer dia que seja e pessoas de bicicletas. Até essas mães podem estar de bicileta enquanto seus filhos vão num carrinho traseiro especial.
Fez sol nos dois dias seguintes à minha chegada. Andar pelos parques foi muito bonito. A arquitetura da cidade é algo que eu não tinha visto. Prédios altos, em um estilo antigo, mas reformados. A cidade não tem ônibus, mas bondes modernos. Muitas vezes, andando ou de bicicleta, atravessa-se um braço de rio no caminho para chegar a algum lugar. E nesses braços sempre há patos e, não raramente, pessoas (inclusive crianças) praticando caiaque. Agora o tempo fechou e todos os dias chove. Mas a cidade tem muito mais a oferecer do que seus parques. No centro da cidade, perto da Augustusplatz, uma praça, sempre há um sanfoneiro ou um violonista ou alguma apresentação/protesto. E, praticamente em todos os estabelecimentos de lazer há um espaço com escaninhos onde estão à disposição panfletos que descrevem as atividades culturais que estão sendo realizadas no momento na cidade. E são muitas.
Outro ponto positivo da cidade são as pessoas. Sim, os europeus são fechados, mas os alemães têm me parecido mais francos e, muitas vezes, bem simpáticos -- entenda-se tratar os outros com um sorriso. Fui a uma das bibliotecas de um dos campus da Universität Leipzig, que no ano que vem completa 600 anos, e quando cheguei um aluno espontaneamente, com um tratamento amigo, me informou como guardar minhas coisas antes de entrar, embora eu já soubesse -- eu nem tinha perguntado. O atendente, provavelmente um aluno, foi bastante atencioso comigo e sempre tratou com algum sorriso no rosto e uma voz calma. Depois eu fiquei com fome e perguntei a um estudante que já ia sair da biblioteca onde eu poderia achar a cantina e ele me chamou para segui-lo, a fim de que ele me mostrasse onde era e no caminho ele foi puxando assunto -- nada homossexual, como brasileiros poderiam pensar ao ler isso que eu escrevo --, perguntando de onde eu era. Eu respondi e depois disse que estava só em Leipzig a passeio e estudando na França. Logo ele tentou falar alguma coisa em francês. Me impressiono com tudo isso porque em Limoges acho que isso não aconteceria, pelo menos não dessa maneira.

Passeio no zoológico de animais regionais e ao redor do lago


No zoológico de animais regionais

Um dos seus habitantes. Não me lembro o nome da espécie.

Mais adiante, uma coruja branca.

Ao lago.

Olhando na direção da foto anterior, eu podia ter esta vista.

Olhando para trás, eu poderia ter esta imagem. Tinha a intenção
de registrar as pipas coloridas que pessoas lá da margem de areia empinavam.

Olhando para o lago. Deus, aquilo é uma pirâmide! Por que não contornar o lago e chegar ao outro lado?

No e ao redor do lago, pessoas se divertem patinando; andando de bicicleta, empinando pipas, correndo, fazendo kite-surfing, velejando...

Por que não, então, também andar a cavalo?

O passeio foi de bicicleta. Sim, a torre é a mesma.

Vista de cima da torre de ferro da imagem anterior. Lá longe há uma usina nuclear.

Quem tem medo de altura terá uma grande emoção ao subir esta torre.

Viagem à Alemanha

Na 3iL as férias vêm em fatias. Uma delas é esta semana. Aproveitei a oportunidade para fazer uma visita a ela e conhecer -- finalmente -- a terra, segundo Wolfgang Menzel, dos pensadores e poetas.
Então como combinado, na quinta-feira, depois de tomar como café da manhã o resto do último jantar (eu não queria estragar e também não queria demorar muito), ainda escuro de manhã, embra já fossem cerca de sete e meia, eu rumei em direção à Gare de Limoges para adentrar uma maratona de viagens e trocas de trens entre França e Alemanha. Estava frio e escuro, mas a cidade já estava bem acordada e os carros, fumegando por causa do frio e umidade, iluminavam ainda mais as ruas. Mesmo que eu tivesse o bilhete da viagem para Paris em mãos, eu não sabia exatamente a quem o apresentar ou qual procedimento fazer antes de entrar no trem. Perguntei a um cara que parecia não ser francês e ela não soube me responder. Vi uma maquininha onde alguém antes tinha colocado o bilhete antes, mas não sabia se eu também deveria fazer o mesmo ou configurar algo antes ou em que posição meter o bilhete. Perguntei a um outro cara, que também ia fazer o mesmo procedimento e ele me mostrou como fazer, ao colocar o seu bilhete na máquina. Depois eu fiz, e tudo o que aconteceu foi que um registro foi impresso no bilhete.
Isto só era o começo de uma série de dúvidas que iam surgir ainda no desenrolar das trocas de trens. Era a minha primeira viagem de trem. Percebi que ele andava bastante rapidamente, claro, já que não havia nenhum obstáculos ao longo dos trilhos, como é o caso com uma estrada. E, por isso, muitas vezes não conseguia olhar para a paisagem próxima, pois meus olhos não aguentavam acompanhar a rapidez do trem, no que isso era uma tortura para os olhos.
Eu estava realmente bastante feliz com aquela viagem. No trem, algumas pessoas liam um jornal ou um livro enquanto outras conversavam, dormiam ou comiam: um comportamento bem natural para mim. O trem parava em algumas cidades. Finalmente quando estávamos próximos de Paris, eu vi uma porção de aerogeradores, com suas hélices gigantes. Chegamos a Paris e eu não sabia como pegar o próximo trem, que sairia 1h25min depois de chegarmos. Após dar uma olhada nos lugares, procurando por algum balcão de informações, encontrei um de onde o recepcionista me falou, após olhar o meu bilhete, que eu deveria ir à gare de l'Est. Peguei o mêtro e cheguei lá com apenas alguns minutos para saber em que via eu ia pegar o trem; almoçar e talvez trocar alguns reais que não tinha trocado no Brasil. Dei uma volta e perguntei a uma moça do balcão de informações onde eu poderia encontrar uma loja de câmbio. Saí da Gare e cruzei a rua para tentar trocar o dinheiro. Mas, a taxa que eles cobravam pela conversão me tirava resultava em cerca de 5 reais cada euro! Eu não pude aceitar. Saí e dei uma olhada ao redor a fim de procurar um lugar onde eu pudesse almoçar. Eu pensei que não daria tempo de qualquer maneira, já que, além de tudo, eu demoro para comer. Resolvi então comer no Quick, uma rede de fast-food bem conhecida na França. Comprei um Mix'N Fish e, antes de dar a primeira dentada no lanche, olhei para o relógio do celular e faltava pouco menos de meia hora para a partida do trem. Ainda nos ultimos pedaços do sanduíche, eu verifiquei mais uma vez o horário e vi que so faltava cerca de dez minutos para a saida do trem e eu nem tinha terminado de comer o lanche. Comecei a mastigar freneticamente, coloquei na boca o resto do lanche e fui mastigando no caminho, enquanto eu andava a passos largos e rápidos com uma mala de rodinhas e uma maleta pesada a tira-colo. Quando cheguei na Gare, comecei a correr e correr. Eu já sabia a qual via eu deveria ir e vi o trem da Deutsche Bahn já parado lá e poucas gentes ainda entravam nele. Eu cheguei com a comissária que esperava lá fora e ela já perguntou pelo meu bilhete em alemão. Eu lhe mostrei e ela me indicou -- inutilmente, pois eu já sabia -- onde eu deveria me sentar. O trem era bem mais confortável do que o que peguei na França, mas parecia mais lento também. Na viagem, um fiscal ainda passou pelos corredores, pedindo alguns documentos de alguns passageiros e chegou ainda a revistar o alemão que sentava ao meu lado. Mas, ainda bem, nem me pediu nada.
Aquela viagem foi um pouco mais longa e eu percebi alguma diferença no comportamento dos viajantes. Do meu lado, atravessando o estreito corredor, estava uma família. O pai jogava com a sua filhinha, sobre a mesa que separava os pares de assentos virados uns para os outros, um jogo de cartas com algumas figuras de animais, que não era jogo da memória, mas um jogo que não conheço. Na minha frente, uma moça lia vidradamente um livro chamado Anonyma - Eine Frau in Berlin -- quando eu cheguei em Leipzig, vi algumas propagandas suas pela cidade, portanto se trata do "livro da moda" -- e ao seu lado um homem dormia. A viagem correu perfeitamente. Quando cheguei em Frankfurt, finalmente, eu deveria pegar o trem para Leipzig mas o bilhete não dava muitas informações. Abordei um ferroviário que me disse em que via eu deveria esperar o trem. Fiquei lá esperando o trem naquele clima mais frio do que na França e já um pouco cansado. Quando o trem chegou, não encontrei o meu vagão e, como já estava em cima da hora e as pessoas entravam desapressadamente no trem, eu entrei em qualquer porta para garantir que eu viajaria e em um ou dois minutos o trem partiu. Dentro dele, havia muita gente que ainda não se tinha sentado e eu comecei a andar rumo a qualquer lugar com o meu número. Fiquei emperrado ao me confrontar com uma moça que vinha na outra direção do corredor, pois o corredor era muito estreito. Ela me perguntou qual era o meu número de assento, para que saíssemos daquela situação, e eu disse qual era, apontando adicionalmente para o número no meu bilhete. Ela disse então que eu não poderia me sentar por ali, porque o vagão em que eu tinha entrado era o errado e ela disse que nem ela podia ficar naquele vagão e, assim, também deveria sair. Eu fiquei meio embaraçado com toda aquela agonia e com uma mala que mal passava pelo corredor pequeno enquanto havia gente no corredor na minha frente e atrás de mim querendo passar. Pedi licença e fui passando, e as pessoas se incomodando, e eu suando, um grupo de amigas que também estava em pé começou a rir -- eu não sabia se era de mim ou de um assunto que já se desenrolava antes. Eu sabia que havia alguma coisa de errada naquilo tudo, porque havia muitas pessoas em pé e isso não deveria ser normal. Consegui ficar espremido num lugarzinho do corredor por alguns minutos enquanto quem queria passar passava e quem não queria ficava em pé como eu. Nesses minutos, um cara de terno e gravata se levantou do seu assento e deu lugar a outra pessoa, provavelmente o ocupante legítimo daquele lugar. O cara ficou em pé, com um terno sobre o braço cuja mão segurava um livro que ele insistia em continuar lendo em pé, enquanto se apoiava com a outra mão em alguma parte de cima do bagageiro, enquanto havia pessoas na sua frente e atrás. Eu olhava ao meu redor e praticamente todos que estavam sentados estavam lendo alguma coisa ou fazendo uma palavra cruzada ou jogando sudoku, mas, enfim, irriquietos, enquanto eu estava agoniado naquela situação. Quando o clima se estabilizou um pouco mais, eu decidi sair com a minha mala para uma parte que divide os vagões e que não tem assentos, sendo, portanto, mais ampla. Ainda lá havia pessoas. Um cara ia na porta, conversando com dois rapazes. No chão, sentados, um ao lado do outro, jovens liam livros e tornavam difícil o acesso ao outro vagão, e uma senhora que chegou depois sentou-se sobre sua mala e sacou um romance para ler durante a viagem.
Eu suava, com um casaco, e apoiava minha mala, suspendendo um pouco com a mão a minha maleta e pressionando-a contra meu corpo, mesmo que eu a estivesse usando a tira-colo, com cuidado para que as suas alças não cedessem ao peso excessivo que ela carregava. Consegui um cantinho legal para colocar minhas malas e me livrei delas, restando-me só me preocupar em me manter em pé. Não havia um lugarzinho para eu me sentar. Fiquei no portão do vagão suando e já com uma dor-de-cabeça que aumentava. E a noite já tinha chegado. Cada vez mais eu ia me sentindo mais estressado e resolvi comprar uma água no bistrô do trem, que eu acho muito cara, mas eu tinha de fazer aquilo. Tomar a água certamente me fez bem. E retornei ao meu lugar como um vigilante retorna a sua guarita. E assim a viagem continuava. Eu acompanhava o mapa de bordo e íamos passando e parando em várias cidades. Leipzig ainda estava tão longe. Perto de Weimar eu já me sentia esgotado e uma senhora saiu de seu lugar para descer. Eu perguntei a ela se eu podia ocupar seu lugar e ela disse que sim. Só faltavam mais duas cidades antes de chegarmos a Leipzig e eu não aguentava mais ficar naquele trem, e começava a sentir náuseas. Finalmente quando chegamos a Leipzig eu estava feliz, apesar de todo esse sofrimento. Desci do trem e estava muito frio, um frio que eu ainda não tinha experimentado em Limoges. Procurei um pouco e eu a achei, sorrindo, ao meu encontro. Logo melhorei.

"Die Deutschen thun nicht viel, aber sie schreiben desto mehr. [...] Das sinnige deutsche Volk liebt es zu denken und zu dichten, und zum Schreiben hat es immer Zeit. Es hat sich die Buchdruckerkunst selbst erfunden, und nun arbeitet es unermüdlich an der großen Maschine. [...] Was wir in der einen Hand haben mögen, in der anderen Hand haben wir immer ein Buch" (Menzel 1828/1836).
"Enquanto os alemães não fazem muito, eles escrevem em compensação muito mais. [...] O inteligente povo alemão adora pensar e fazer poesia, e para escrever há sempre tempo. Ele mesmo criou a prensa e agora trabalha incansavelmente na grande máquina. [...] Não importa o que nós podemos ter numa mão; na outra, temos sempre um livro" (W. Menzel 1828/1836)
(retirado da Wikipedia)

sábado, 11 de outubro de 2008

Exame

Essa última quinta-feira teve um gosto um pouco amargo para mim -- além de para todo o mercado financeiro internacional. Foi o dia do teste de uma matéria que estou cursando na 3iL. Eu vinha estudando a matéria e, na véspera do teste eu fiquei acordado até mais tarde para tentar fixar o máximo de conteúdo possível, mesmo porque, além de tudo, eu devo saber explicar o conteúdo em francês: um obstáculo a mais.
No dia do teste, eu já sabia em que sala, em que fila e em que cadeira eu faria a prova, porque tudo é marcado e fixado no quadro de avisos correspondente com antecedência. A prova em si não era difícil para mim, mas eu mal tive tempo de responder a primeira, o começo da segunda e o começo da terceira questão para o tempo esgotar, já que a duração da prova era de vinte minutos. A bem da verdade, esse só é um "teste de verificação do acompanhamento das aulas", o menor peso no cálculo da média. Em todo caso, foi como um balde de água fria no outono francês, porque eu sabia o conteúdo e não tive tempo de começar a fazer algumas questões. Então a pergunta que eu me fazia era: não adianta saber e resolver a prova num tempo razoável, mas saber muito bem e responder sem olhar para trás. Agora só tenho de corrigir esse pequeno erro de gerência de tempo na prova -- que é conseqüência também da falta de domínio do idioma.
Espero atualizar esse blog com uma notícia boa em relação a isso depois do próximo teste da semana que vem.

Abs,
V.

sábado, 4 de outubro de 2008

Aniversário do meu pai

Pela primeira vez -- pelo menos que eu me lembre -- passarei um aniversário do meu pai longe dele. Este é, sobretudo, um aniversário especial, porque precede um evento que será também muito importante para ele, e, portanto, para mim; enfim, para nossa família. E a primeira vez que ele se candidata a vereador da nossa querida Belém. Eu sinceramente já estava cansado de ver políticos e detentores de poder, com raras exceções, em quem não pode se
confiar; que usurpam a cidade, o país; ou que simplesmente não sabem gerir, não têm boas idéias; não têm visão. E eu pensava, de vez em quando, como seria se eu me candidatasse um dia a um cargo público: as coisas que eu poderia fazer, como eu poderia contribuir com os meus conterrâneos, com a minha cidade. E, finalmente, meu pai chegou um dia em casa e nos anunciou que ele se candidataria a vereador.
Eu sou muito suspeito para dizer que o meu pai é tudo isso. Mas o fato é que, como morador do Teresa Borsoi, o condomínio que ele gera como síndico, eu posso dizer a mesma coisa. Lá ele mostrou -- e eu acompanhava um pouco de seu trabalho no computador do meu quarto e do meu irmão, onde ele organizava seus documentos; agora ele organiza mais no computador do escritório -- o que uma gestão livre de interesses pessoais, e com boas idéias, pode fazer. Com uma mensalidade mínima e com produção total, ele otimizou a gerência do condomínio. Construiu um salão de festas, reformou a quadra, aproveitando o excedente de grama sintética da Arena da Pedreira -- outro gestor poderia simplesmente vendê-la ou estocá-la --, construiu um playground para as crianças, reformou a lixeira (nada mais de baldes de lixo na frente do prédio),
reduziu os gastos com pessoal, etc. Em casa, depois da inevitável popularidade que ele ganhou no condomínio, nós o aconselhávamos a candidatar-se a algum cargo público elegível, porque Belém precisava de alguém assim -- portanto, nós, como belenenses, também precisávamos -- e porque ele já conhecia tanta gente que é impossível sair com ele por Belém sem ele falar com cerca de pelo menos um amigo na rua. Ironicamente, quando eu consegui essa oportunidade de estudar aqui longe foi justamente no ano em que ele lançou sua candidatura. E daqui eu não posso votar nele.
Elielson Cardoso, meu pai, é uma pessoa muito altruísta. Tão altruísta a ponto de muitas vezes eu achar estranho até que ponto ele poderia fazer algumas coisas pelas outras pessoas sem esperar receber absolutamente nada delas -- e eu constatava que ele não esperava mesmo porque eu lhe perguntava. Ele realmente gosta das pessoas e de fazer novas amizades, por isso ele tem incontáveis amigos. Ele me ensinou muito, não necessariamente através de conversas, mas de atos, sobre como se relacionar bem com as pessoas. Muitas boas lições eu tive da minha mãe, mas nesse assunto, o meu pai é mestre, e de uma maneira natural.
Um dos ensinamentos dele, que eu aprendi lhe observando, é simplesmente aquela sua característica já repetida aqui várias vezes: gostar das pessoas; de fazer e ter bons amigos, sem interesses, de todas as classes sociais, de todas as culturas, de todos os tipos.
Além disso, ele me ensinou também, por exemplo, a preparar arroz com alho. E isso me têm sido bastante útil aqui :). Eu devo muito a ele. Pai, você é um bom exemplo para mim. Seja feliz, como você sempre foi, nos tantos próximos anos de sua vida!! Mesmo longe, estou com você em pensamento.
Obs.1: Por uma questão de conveniência e de que eu gostaria muito que eu meu pai se eleja, aqui está o seu número de candidato a vereador de Belém: 23 533 (Elielson da Pedreira).
Obs.2: As comidas brasileiras e regionais que serão serão servidas na comemoração do seu aniversário bem que irião muito bem aqui :)! Infelizmente não posso ter o prazer imenso de degustá-las.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fim de semana de Integração e novas sensações

Este último fim-de-semana foi como um ponto de inflexão para mim durante a minha estadia nesta cidade e neste país. Há quase um mês na França, em Limoges, eu participaria finalmente desse momento de confraternização dos estudantes da 3iL do qual eu já "ouvia falar" há tempos no Brasil, em Belém. Eu sabia que muita coisa poderia me parecer estranha, porque a cultura dos estudantes aqui muito provavelmente seria diferente da dos estudantes brasileiros. Dizia-se, por exemplo, que nesse fim de semana, os calouros beberiam como nunca e não se conseguiria dormir -- se bem que se conhece esse tipo de coisa das universidades do sul e sudeste do Brasil...
Ocorre que recebemos, eu e meu xará, um convite de amigos brasileiros de Paris para uma feijoada que aconteceria na residência dos estudantes e, oportunamente, para conhecer a cidade das luzes, tudo isso no mesmo fim de semana da "weekend d'intégration". Receoso das possíveis bizarrices que pudessem ter lugar nesse fim de semana no campo, e aproveitando o momento para conhecer a capital do país mais visitado do mundo e rever conterrâneos e amigos, o Walber decidiu aceitar o convite dos amigos brasileiros. Eu fiquei bastante tentado também, mas a minha presença na festa dos alunos já era uma pretensão desde o Brasil e um momento bem interessante para cultivar as amizades dos (das) meus (minhas) colegas de curso. E eu sabia que aquela não seria a única feijoada da qual poderíamos participar. Então, me abneguei da festa dos brasileiros e de conhecer Paris, mas sem nenhum ressentimento maior por isso.
A pequena cidade rural onde aconteceu o evento, Biron, do departamento de Dordogne era relativamente longe de Limoges, do departamento de Limousin, e a viagem de ônibus demorou cerca de 3h40min. No caminho, muitos campos e florestas. Pude constatar que nem só de grandes cidades a França é constituída, pois, embora muitos dos produtos agrícolas sejam importados, os franceses também têm o seu quinhão em alguma produção desse tipo. Além da paisagem que se podia ver dentro do ônibus, canções foram entoadas -- cujas letras podiam ser acompanhadas por um breviário dado a cada passageiro; também foi realizada uma pequena apresentação dos novos estudantes, encabeçada pelos organizadores da viagem, o pessoal do diretório dos estudantes.
O lugar onde ficamos era bem maior do que eu imaginava. Tinha piscina coberta e descoberta, lago onde se podia praticar caiaque, quadra polivalente e de tênis e campos abertos, além de uma área de recepção onde aconteceram as refeições e a festa de abertura. Havia muita gente. Cerca de mais de 80 pessoas.
Realmente, na sexta eu bebi muito, mas não extrapolei a ponto de perder a consciência. De fato, para mim, que sou do segundo ano do curso, a festa não foi tão intensa quanto para os calouros do primeiro ano e na noite seguinte considero que dormi até bem cedo. Em resumo, foi uma experiência interessante. Além disso, sem o meu amigo brasileiro por perto, vi-me forçado a falar, ouvir e pensar em francês, e, ao final do fim de semana, eu percebi uma melhora notável na minha fluência.
Na volta, senti pela primeira vez em terras não-brasileiras o sentimento de voltar para casa depois de uma viagem, a casa onde vivo atualmente. Esse sentimento tem uma representação muito peculiar, ele é o ponto de inflexão que mencionei, pois foi a partir daí, sentindo um laço de amizade mais forte entre os colegas do curso, e uma espécie de nostalgia da viagem mas ao mesmo tempo alívio de voltar para casa, que eu percebi que estava realmente morando aqui.

domingo, 21 de setembro de 2008

Nota

Caros leitores,

O motivo pelo qual publiquei essas quatro últimas postagens de uma só vez é porque... Eu comprei meu notebook, uhuuullll!!!
Após algumas tentativas frustadas de compra pela Internet (ou precisava de um telefone fixo no cadastro -- ninguém quis me autorizar a usar o seu, bando de "pano preto" aqui -- ou o cartão de crédito não era aceito), cedi comprar numa loja daqui que oferecia uma promoção interessante, num pacote de contrato com uma operadora de celular -- vou precisar de um de qualquer maneira, mesmo --, para um notebook não tão bom quanto eu queria pela Internet, mas bem aceitável para mim.
Ei-lo: Acer Aspire 5720Z, 2GB RAM, 130GB HD, placa de vídeo nVidia GeForce 8400 (256MB dedicados, expansível até 1GB), leitor/gravador de DVD, saida para HDTV, placas de redes Realtek para os padrões 802.11 e 802.3, etc. Windows Vista Edition Familiale.
Estou satisfeito e agora poderei atualizar o blog com mais freqüência além de fazer inúmeras outras coisas úteis.

Meilleures salutations,
Valber

Bola

Na primeira partida de futebol que jogamos com amigos em Limoges, com 6 jogadores, constatamos que o médio brasileiro tem vantagem média maior no futebol do que o médio francês. O meu terceto ganhou por 3 ou 4 gols de vantagem. Deu para suar, e logo depois choveu.
A segunda bola foi no campo de futebol da Université de Limoges. Encontramos um pessoal que já estava treinando naquele grande campo e decidimos jogar um contra o outro. Onze contra onze. Fiquei honrado com o desejo convicto do "capitão" do nosso time de que fôssemos os atacantes. Senti uma responsabilidade grande por estar representando ali o futebol brasileiro. Há muita gente no Brasil que joga bem, tenho muitos amigos e conhecidos que jogam. Como eu nunca joguei lá essas coisase poucas vezes saí para jogar, eu contava principalmente com a minha garra, minha marca principal do meu estilo de jogo : ). Mas correr, meter o pé e marcar eles também sabiam. Foi difícil, havia marcação em mim a todo instante e o nosso time perdeu muita bola por não marcar direito. Mas, até sairmos (antes de o jogo acabar, porque estávamos de carona com o parrain do Walber, que tinha marcado uma consulta com o médico) não levamos nenhum gol -- como também não fizemos. No outro dia, na 3iL perguntei a um colega como ficou o jogo e ele disse que (quase igual), algo como 4x4 ou 4x5. O fato de ele não se lembrar exatamente o placar evidencia a diferença de importância dada ao futebol na França e no Brasil. No Brasil, seria capaz de um dos jogadores se lembrar deste placar depois de anos : ).

Mas o mais incrível foi quando, dois dias depois do jogo, abri a minha caixa de entrada eletrônica e vi um email com um conteúdo inusitado. Tratava-se de um representante de um clube de futebol a 18Km de Limoges que me convidava a participar do seu time de futebol, se eu estiver interessado!!! Eu pensei: "Caramba!! Será que tinha olheiro naquela bola que apreciou o meu futebol-arte brasileiro?!" huahuahua. Neste momento eu me senti um pouco como esses jogadores brasileiros que vão jogar um tempo no exterior e fiquei muito arrependido de não ter dedicado mais tempo no Brasil ao futebol, desde criança... Se eu soubesse jogar pelo menos como um dos meus amigos que jogam bem, eu iria lá fazer uma visita no clube para ver como é que funciona lá : ). E um pouco decepcionante não poder representar o Brasil nesse quesito como ele merece, mas infelizmente não há nada que eu possa fazer agora para mudar essa situação.

V.

Começo das aulas

Finalmente, as aulas começaram no Institut d'Ingénierie Informatique de Limoges.
Acordamos cedo e no caminho para a "Ecole", vestidos com roupas apropriadas, sentimos o frio que faz de manhã. Com o clima úmido, a nossa respiração ou bafo condensava imediatamente, formando a "fumacinha" do frio. O tempo para chegar lá é de cerca de 15min à pé.
Primeiro tivemos uma breve apresentação do curso com algumas explicações sobre o seu sistema de avaliação e outras coisas por, primeiramente, a senhora responsável pelo segundo ano e pelo sistema pedagógico do curso, depois, por um outro professor, cuja função administrativa tem a ver com isso também.
A primeira aula foi de Analyse Numérique, que eu comparo com Cálculo Numérico da UFPA. Logo recebemos um material da matéria, o que viria se repetir em todas as outras. Mas acontece, para suprir a quantidade de alunos, aproximadamente 80 e pouco, o material vem em caixas. E a chamada também é demorada. Outra coisa interessante é que há uma porção de nomes estrangeiros, dentre os quais, por exemplo, Valber de Souza, e os professores parecem ter alguma dificuldade com um ou outro nome. Inclusive ocorreu que, em uma aula de Redes, o professor, que também é estrangeiro, de algum país árabe, perguntou, antes de mostrar um sorriso, como de quem pergunta algo cuja resposta é óbvia: "vocês estão me entendendo bem? Há alguém aqui que não fala francês?" Juro que quase que levanto a mão, na intenção de prevenir o professor de um eventual erro meu por motivo da minha não-compreensão do que ele disse ou simplesmente de sensibilizá-lo a falar mais nitidamente e lentamente. Mas não tive a coragem suficiente e pensei, depois, que ficar quieto tenha sido realmente a melhor atitude, já que ele poderia em seguida me perguntar algo, num tom bem-humorado mas sarcástico, como: "E como você pretende entender a minha aula?" De fato posso não falar francês bem, mas consigo entender muito do que ele diz, e o estudo extra-classe compensará o meu déficit de entendimento exato do que ele disse em sala. E, claro, com o tempo -- e o imprescindível estudo da língua -- tudo tende a ficar mais fácil.
Conhecemos ainda as duas gregas e o espanhol, que sabíamos que iriam estudar lá, através de emails enviados das relações internacionais da 3iL. Tanto as gregas quanto o espanhol são pessoas bastante legais e estamos sempre conversando com eles.

Passeio e Pré-entrada

O primeiro contato oficial com 3iL foi dia 11/09, na pré-entrada ("pré-rentrée"). Foi de fato interessante que havia estudantes de outros países, falando diferentes línguas. Também foi um ponta-pé inicial na adequação à instituição, que, por sinal, tem uma estrutura muito boa, e cujos professores e dirigentes foram, todos, até então, muito simpáticos e atenciosos.
Fomos conduzidos primeiramente a um auditório, onde os professores responsáveis pela gestão de cada período acadêmico (períodos, no total, correspondentes a 3 anos) nos foram apresentados. Ainda, preenchemos um formulário para inscrição administrativa, meu amigo
Walber e eu tivemos a honra de ser ajudados nesse processo inteiro pela professora responsável pelo nosso período, o segundo ano (2ème anée).
Mais tarde, fizemos uma desgastante caminhada sob o sol do verão Europeu central rumo a um restaurante universitário.
A comida era razoável e podíamos escolher tudo o que nos era oferecido num estilo "self-service" pagando um preço fixo por isso: 2,85Eur.
O meu prato foi macarrão, peixe (não sabia que espécie era), batatas fritas e um acompanhamento de coisas aparentemente cruas ou cozidas e refrigeradas (sim, eu não sabia também exatamente o que aquilo era). A sobremesa era uma espécie de sonho e um leite coalhado, que vinha numa embalagem de iogurte. Fiquei satisfeito.
A minha "parraine" ainda propôs de irmos dar entrada na "carte de séjour", mas logo ela se lembrou -- e depois constatou num posto de atendimento da "préfecture" que ficava no mesmo complexo do restaurante universátio -- que era necessário marcar um horário para dar entrada neste documento. Como resultado ela conversou comigo perguntndo se não teria problemas se ela fosse tentar resolver algumas coisas para a amiga dela dos Camarões que estava também se acomodando em Limoges para estudar na 3iL. Walber e eu voltamos sozinhos, após termos, com a minha "parraine" ao lado, traçado um caminho no meu mapa da cidade.
Dia 12/09, o encontro começou na frente da 3iL às 13:30. Finalmente conhecemos a senhorita das relações internacionais da instituição.
Realmente, como nossos professores brasileiros já nos tinham relatado, é ela uma pessoa muito simpática, e foi bastante gentil no tratamento conosco.
O passeio em si começaria da frente de uma agência de turismo de Limoges, dentro de um trenzinho que muito lembrava trenzinhos de passeio infantil.
Foi uma tarde bonita e ensolarada. As pessoas sorriam quando viam o trenzinho e acenavam às vezes. No caminho, ouvíamos uma descrição dos prédios e lugares pelos quais passávamos. O passeio terminou na imponente catedral medieval de Limoges. Já tínhamos eu, Walber e seu "parrain", visitado esse ponto turístico da cidade, mas havia algo ao lado da catedral que era definitivamente mais assombroso: caminhos subterrâneos datanto de cerca de dois
mil anos.
A guia de turismo local explicava a história de lá num ritmo que revelava sua experiência e mister sobre o assunto e na condução da visita. Por causa de sua linguagem correta e bem cadenciada, eu pude entender muito do que ela nos dizia e isso foi bastante valioso num momento único como aquele. A bem da verdade, pelo que eu entendi, a parte que realmente tinha cerca de 2000 anos era um pequeno arqueduto romano que ficava embaixo da escadaria (escorregadia, segundo as palavras da guia, mas contrariamente à minha experiência) pela qual descemos os
caminhos subterrâneos. Podíamos ver o estreito arqueduto, iluminado por duas ou três lâmpadas através de um degrau em falso da escadaria. Caminhando pelos corredores úmidos, vimos uma entrada na parede que era uma espécie de geladeira ou dispensa dos habitantes de tempos remotos (não posso assegurar a época). Enfiei também o braço, por convite da guia de turismo, num buraco da parede que era usado para guardar objetos supostamente de valor. Aqueles caminhos, conforme aprendemos, foram usados em várias épocas, muitas vezes com propósitos distintos. A exposição
acabou com a guia nos contando uma história de um possível fantasma que existia por ali de uma certa dama de nome Vallery. Segundo o que pude entender, a lenda diz que Vallery tinha uma admirador, senhor medieval poderoso, que, tendo seu amor por ela não correspondido, ordenou a morte da pobre senhorita.
Ainda de acordo com a lenda, a cabeça decapitada de Vallery estaria em algum lugar daquele subsolo. Vallery tinha se convertido ao cristianismo imediatamente ao ver algum objeto -- muito provavelmente religioso -- de que eu não me recordo. Diz-se que quem avistar a cabeça também se converterá imediatemente, se ainda não for cristão. Posso estar enganado em algum ou vários pontos da história que me foi contada por não ter total segurança na minha compreensão da língua francesa, mas a história era por aí.
Depois, demos todos um passeio pelo jardim l'Evêché da Catedral e voltamos à pé rumo à 3iL. Antes de chegarmos ao destino final, quebramos o caminho para a casa do "parrain" do Walber, Guillaume, que nos sugeriu de fazê-lo a fim de irmos comprar, logo, algumas coisas no supermercado e evitar o longo caminho de volta da 3iL para a casa dele, de onde sairíamos de carro.

sábado, 6 de setembro de 2008

Sábado de sol

Hoje é aniversário do meu colega de quarto e xará. Segundo ele, ele ficará "o dia inteiro" no Skype, se comunicando com sua família, que vai lhe fazer uma festinha a distância. Para comemorar por aqui, estamos preparando um almoço quase tipicamente brasileiro: arroz com feijão, toucinho e salsicha. Acho que seria mais brasileiro se tivesse carne de boi ou um frango, "mais bon"...
Saí hoje de manhã, pela primeira vez sozinho, para comprar os ingredientes do tempero do feijão. Como sempre, quase não havia pessoas na rua. A venda de legumes e frutas que eu conheço fica um pouquinho longe daqui, mas nem tanto assim. A comunicação com a dona do estabelecimento foi bastante objetiva e rápida. Na volta, passei pela frente do apartamento para onde vamos nos mudar, que fica no caminho, e aproveitei para voltar pelo parque bonito que existe lá perto. O dia estava ensolarado e até suei um pouco com a caminhada, que também inclui subidas e decidas. Um pouco mais tarde, depois que cheguei, até choveu com sol!
Ainda hoje, vou acompanhar o jogo do Remo contra o Rio Branco, que é decisivo para o Remo. Aqui serão 23:00. Vesti até uma camisa do clube. Vamos lá LEÃO!!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A viagem

Fazia bastante tempo que eu não viajava de avião. A ultima vez foi em 2000 ou 2001, se não me engano, para Brasilia. Também era a unica viagem de avião de que eu me lembrava, ja que todas as outras aconteceram quando eu mal sabia que estava no mundo.
Voar de novo seria um prazer. E claro que eu sentia um pouco de medo, mas eu tinha fé de que tudo daria certo. A viagem ao Rio de Janeiro -- nunca tinha ido ao Rio -- abriu a despedida. Dei um até logo a minha familia -- sim, quando a viagem dura um ano somente, acho que ainda se pode dizer "até logo". Logo eu sentaria na primeira poltrona de avião de mais outras duas que ainda estavam me esperando na França quando eu chegasse la.
No avião, comecei a entrar no clima, pois uma porção de passageiros era francesa. E la éramos 4 brasileiros, que, no meio do voo, se levantaram de suas poltronas para conversar. Todos estavamos ansiosos com tudo aquilo. Ao chegar no Rio, depois de 3:20 de vôo, contactamos nossos parentes, e depois de andar pelo aeroporto, fomos almocar "churraesco de picaenha", em carioequês. Foi legal ver um pedacinho do Rio representado pelo aeroporto Tom Jobim.
Os momentos antes de pegar o aviao para a franca foram bastante unicos. Nunca vou me esquecer daquela sensacao de que eu estava prestes a fazer uma viagem intercontinental. Aquele grande 747 la fora nos esperando. Quando entramos nele, as aeromoças não falavam português, mas francês ou inglês. Era cada vez mais concreto que eu estava prestes a fazer uma viagem para a França! Quando o aviao decolou, eu fechei os olhos por um instante, fiz uma oração, mesmo que eu nao tivesse total certeza de que ela fosse ouvida, e passei a contar as horas. Eu ja tinha feito amizade com duas senhoras brasileiras que sentavam ao meu lado e que foram muito legais comigo, me oferecendo ate uma caixa de barra de cereais porque eu ja sentia fome antes do servico de comida do aviao. Espero que elas estejam se divertindo muito pela Europa. Saimos às 16:20 do Brasil, para chegar às 2:30 do Brasil -- e 7:30 da França. So a ideia de que sairiamos de tarde e chegariamos de manha dentro de 9:40 eu ja achava fantastica! Nao consegui dormir bem no aviao nesse tempo, e varias vezes eu consultava o sistema de localizacao geografica da minha poltrona.
A primeira estupefação foi quando eu despretensiosamente olhei a telinha e vi que passavamos sobre uma tal ilha de Palmas. Quando olhei para baixo, la estava um pedacao de terra todo iluminado. Estavamos cada vez mais proximos da Europa. Enfim eu a conheceria!
Ao chegar no aeroporto, o clima era como de ar-condicionado e achei tudo o maximo! So de ver que tudo era escrito em frances... Eu mal podia acreditar que eu estava na França; que eu consegui; que deu tudo certo. Demorou cerca de 2 horas para que a ficha caisse. Mas a maratona nao tinha terminado. Ainda tinha o avião para Limoges. Foi la que a revista foi mais severa e me tirou um desodorante colocado diligentemente pela minha mãe, que foi esperta ao escolher um frasco no final, ja esperando esse incidente.
Eu ja estava acostumado com poltronas e comida de aviao no voo para Limoges. Eu so queria chegar o mais rapido possivel ao destino. Paris estava nublada, mas em Limoges fazia um agradavel sol. Logo percebi a calmaria desta cidade em seu pequeno aeroporto.
Prefiro dar gracas a Deus por ter dado tudo certo.

Obs.: o post atrasado se deve ao fato de so agora eu ter disponivel um computador que posso usar por um periodo mais prolongado. Os proximos posts nao seguirao uma continuacao initerrupta, porque eu nao sei quando terei um computador e nem se terei tempo para estar sempre postando.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Criação

Finalmente eu entro nesse mundo de blog. O motivo é bom: comunicar meus parentes e amigos sobre minhas impressões desta experiência fantástica que é uma viagem de estudo ao exterior, principalmente a um país como a França; e contribuir com informações para os interessados em fazer o mesmo que eu.

Saudações,
V.