Este último fim-de-semana foi como um ponto de inflexão para mim durante a minha estadia nesta cidade e neste país. Há quase um mês na França, em Limoges, eu participaria finalmente desse momento de confraternização dos estudantes da 3iL do qual eu já "ouvia falar" há tempos no Brasil, em Belém. Eu sabia que muita coisa poderia me parecer estranha, porque a cultura dos estudantes aqui muito provavelmente seria diferente da dos estudantes brasileiros. Dizia-se, por exemplo, que nesse fim de semana, os calouros beberiam como nunca e não se conseguiria dormir -- se bem que se conhece esse tipo de coisa das universidades do sul e sudeste do Brasil...
Ocorre que recebemos, eu e meu xará, um convite de amigos brasileiros de Paris para uma feijoada que aconteceria na residência dos estudantes e, oportunamente, para conhecer a cidade das luzes, tudo isso no mesmo fim de semana da "weekend d'intégration". Receoso das possíveis bizarrices que pudessem ter lugar nesse fim de semana no campo, e aproveitando o momento para conhecer a capital do país mais visitado do mundo e rever conterrâneos e amigos, o Walber decidiu aceitar o convite dos amigos brasileiros. Eu fiquei bastante tentado também, mas a minha presença na festa dos alunos já era uma pretensão desde o Brasil e um momento bem interessante para cultivar as amizades dos (das) meus (minhas) colegas de curso. E eu sabia que aquela não seria a única feijoada da qual poderíamos participar. Então, me abneguei da festa dos brasileiros e de conhecer Paris, mas sem nenhum ressentimento maior por isso.
A pequena cidade rural onde aconteceu o evento, Biron, do departamento de Dordogne era relativamente longe de Limoges, do departamento de Limousin, e a viagem de ônibus demorou cerca de 3h40min. No caminho, muitos campos e florestas. Pude constatar que nem só de grandes cidades a França é constituída, pois, embora muitos dos produtos agrícolas sejam importados, os franceses também têm o seu quinhão em alguma produção desse tipo. Além da paisagem que se podia ver dentro do ônibus, canções foram entoadas -- cujas letras podiam ser acompanhadas por um breviário dado a cada passageiro; também foi realizada uma pequena apresentação dos novos estudantes, encabeçada pelos organizadores da viagem, o pessoal do diretório dos estudantes.
O lugar onde ficamos era bem maior do que eu imaginava. Tinha piscina coberta e descoberta, lago onde se podia praticar caiaque, quadra polivalente e de tênis e campos abertos, além de uma área de recepção onde aconteceram as refeições e a festa de abertura. Havia muita gente. Cerca de mais de 80 pessoas.
Realmente, na sexta eu bebi muito, mas não extrapolei a ponto de perder a consciência. De fato, para mim, que sou do segundo ano do curso, a festa não foi tão intensa quanto para os calouros do primeiro ano e na noite seguinte considero que dormi até bem cedo. Em resumo, foi uma experiência interessante. Além disso, sem o meu amigo brasileiro por perto, vi-me forçado a falar, ouvir e pensar em francês, e, ao final do fim de semana, eu percebi uma melhora notável na minha fluência.
Na volta, senti pela primeira vez em terras não-brasileiras o sentimento de voltar para casa depois de uma viagem, a casa onde vivo atualmente. Esse sentimento tem uma representação muito peculiar, ele é o ponto de inflexão que mencionei, pois foi a partir daí, sentindo um laço de amizade mais forte entre os colegas do curso, e uma espécie de nostalgia da viagem mas ao mesmo tempo alívio de voltar para casa, que eu percebi que estava realmente morando aqui.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
Nota
Caros leitores,
O motivo pelo qual publiquei essas quatro últimas postagens de uma só vez é porque... Eu comprei meu notebook, uhuuullll!!!
Após algumas tentativas frustadas de compra pela Internet (ou precisava de um telefone fixo no cadastro -- ninguém quis me autorizar a usar o seu, bando de "pano preto" aqui -- ou o cartão de crédito não era aceito), cedi comprar numa loja daqui que oferecia uma promoção interessante, num pacote de contrato com uma operadora de celular -- vou precisar de um de qualquer maneira, mesmo --, para um notebook não tão bom quanto eu queria pela Internet, mas bem aceitável para mim.
Ei-lo: Acer Aspire 5720Z, 2GB RAM, 130GB HD, placa de vídeo nVidia GeForce 8400 (256MB dedicados, expansível até 1GB), leitor/gravador de DVD, saida para HDTV, placas de redes Realtek para os padrões 802.11 e 802.3, etc. Windows Vista Edition Familiale.
Estou satisfeito e agora poderei atualizar o blog com mais freqüência além de fazer inúmeras outras coisas úteis.
Meilleures salutations,
Valber
O motivo pelo qual publiquei essas quatro últimas postagens de uma só vez é porque... Eu comprei meu notebook, uhuuullll!!!
Após algumas tentativas frustadas de compra pela Internet (ou precisava de um telefone fixo no cadastro -- ninguém quis me autorizar a usar o seu, bando de "pano preto" aqui -- ou o cartão de crédito não era aceito), cedi comprar numa loja daqui que oferecia uma promoção interessante, num pacote de contrato com uma operadora de celular -- vou precisar de um de qualquer maneira, mesmo --, para um notebook não tão bom quanto eu queria pela Internet, mas bem aceitável para mim.
Ei-lo: Acer Aspire 5720Z, 2GB RAM, 130GB HD, placa de vídeo nVidia GeForce 8400 (256MB dedicados, expansível até 1GB), leitor/gravador de DVD, saida para HDTV, placas de redes Realtek para os padrões 802.11 e 802.3, etc. Windows Vista Edition Familiale.
Estou satisfeito e agora poderei atualizar o blog com mais freqüência além de fazer inúmeras outras coisas úteis.
Meilleures salutations,
Valber
Bola
Na primeira partida de futebol que jogamos com amigos em Limoges, com 6 jogadores, constatamos que o médio brasileiro tem vantagem média maior no futebol do que o médio francês. O meu terceto ganhou por 3 ou 4 gols de vantagem. Deu para suar, e logo depois choveu.
A segunda bola foi no campo de futebol da Université de Limoges. Encontramos um pessoal que já estava treinando naquele grande campo e decidimos jogar um contra o outro. Onze contra onze. Fiquei honrado com o desejo convicto do "capitão" do nosso time de que fôssemos os atacantes. Senti uma responsabilidade grande por estar representando ali o futebol brasileiro. Há muita gente no Brasil que joga bem, tenho muitos amigos e conhecidos que jogam. Como eu nunca joguei lá essas coisase poucas vezes saí para jogar, eu contava principalmente com a minha garra, minha marca principal do meu estilo de jogo : ). Mas correr, meter o pé e marcar eles também sabiam. Foi difícil, havia marcação em mim a todo instante e o nosso time perdeu muita bola por não marcar direito. Mas, até sairmos (antes de o jogo acabar, porque estávamos de carona com o parrain do Walber, que tinha marcado uma consulta com o médico) não levamos nenhum gol -- como também não fizemos. No outro dia, na 3iL perguntei a um colega como ficou o jogo e ele disse que (quase igual), algo como 4x4 ou 4x5. O fato de ele não se lembrar exatamente o placar evidencia a diferença de importância dada ao futebol na França e no Brasil. No Brasil, seria capaz de um dos jogadores se lembrar deste placar depois de anos : ).
Mas o mais incrível foi quando, dois dias depois do jogo, abri a minha caixa de entrada eletrônica e vi um email com um conteúdo inusitado. Tratava-se de um representante de um clube de futebol a 18Km de Limoges que me convidava a participar do seu time de futebol, se eu estiver interessado!!! Eu pensei: "Caramba!! Será que tinha olheiro naquela bola que apreciou o meu futebol-arte brasileiro?!" huahuahua. Neste momento eu me senti um pouco como esses jogadores brasileiros que vão jogar um tempo no exterior e fiquei muito arrependido de não ter dedicado mais tempo no Brasil ao futebol, desde criança... Se eu soubesse jogar pelo menos como um dos meus amigos que jogam bem, eu iria lá fazer uma visita no clube para ver como é que funciona lá : ). E um pouco decepcionante não poder representar o Brasil nesse quesito como ele merece, mas infelizmente não há nada que eu possa fazer agora para mudar essa situação.
V.
A segunda bola foi no campo de futebol da Université de Limoges. Encontramos um pessoal que já estava treinando naquele grande campo e decidimos jogar um contra o outro. Onze contra onze. Fiquei honrado com o desejo convicto do "capitão" do nosso time de que fôssemos os atacantes. Senti uma responsabilidade grande por estar representando ali o futebol brasileiro. Há muita gente no Brasil que joga bem, tenho muitos amigos e conhecidos que jogam. Como eu nunca joguei lá essas coisase poucas vezes saí para jogar, eu contava principalmente com a minha garra, minha marca principal do meu estilo de jogo : ). Mas correr, meter o pé e marcar eles também sabiam. Foi difícil, havia marcação em mim a todo instante e o nosso time perdeu muita bola por não marcar direito. Mas, até sairmos (antes de o jogo acabar, porque estávamos de carona com o parrain do Walber, que tinha marcado uma consulta com o médico) não levamos nenhum gol -- como também não fizemos. No outro dia, na 3iL perguntei a um colega como ficou o jogo e ele disse que (quase igual), algo como 4x4 ou 4x5. O fato de ele não se lembrar exatamente o placar evidencia a diferença de importância dada ao futebol na França e no Brasil. No Brasil, seria capaz de um dos jogadores se lembrar deste placar depois de anos : ).
Mas o mais incrível foi quando, dois dias depois do jogo, abri a minha caixa de entrada eletrônica e vi um email com um conteúdo inusitado. Tratava-se de um representante de um clube de futebol a 18Km de Limoges que me convidava a participar do seu time de futebol, se eu estiver interessado!!! Eu pensei: "Caramba!! Será que tinha olheiro naquela bola que apreciou o meu futebol-arte brasileiro?!" huahuahua. Neste momento eu me senti um pouco como esses jogadores brasileiros que vão jogar um tempo no exterior e fiquei muito arrependido de não ter dedicado mais tempo no Brasil ao futebol, desde criança... Se eu soubesse jogar pelo menos como um dos meus amigos que jogam bem, eu iria lá fazer uma visita no clube para ver como é que funciona lá : ). E um pouco decepcionante não poder representar o Brasil nesse quesito como ele merece, mas infelizmente não há nada que eu possa fazer agora para mudar essa situação.
V.
Começo das aulas
Finalmente, as aulas começaram no Institut d'Ingénierie Informatique de Limoges.
Acordamos cedo e no caminho para a "Ecole", vestidos com roupas apropriadas, sentimos o frio que faz de manhã. Com o clima úmido, a nossa respiração ou bafo condensava imediatamente, formando a "fumacinha" do frio. O tempo para chegar lá é de cerca de 15min à pé.
Primeiro tivemos uma breve apresentação do curso com algumas explicações sobre o seu sistema de avaliação e outras coisas por, primeiramente, a senhora responsável pelo segundo ano e pelo sistema pedagógico do curso, depois, por um outro professor, cuja função administrativa tem a ver com isso também.
A primeira aula foi de Analyse Numérique, que eu comparo com Cálculo Numérico da UFPA. Logo recebemos um material da matéria, o que viria se repetir em todas as outras. Mas acontece, para suprir a quantidade de alunos, aproximadamente 80 e pouco, o material vem em caixas. E a chamada também é demorada. Outra coisa interessante é que há uma porção de nomes estrangeiros, dentre os quais, por exemplo, Valber de Souza, e os professores parecem ter alguma dificuldade com um ou outro nome. Inclusive ocorreu que, em uma aula de Redes, o professor, que também é estrangeiro, de algum país árabe, perguntou, antes de mostrar um sorriso, como de quem pergunta algo cuja resposta é óbvia: "vocês estão me entendendo bem? Há alguém aqui que não fala francês?" Juro que quase que levanto a mão, na intenção de prevenir o professor de um eventual erro meu por motivo da minha não-compreensão do que ele disse ou simplesmente de sensibilizá-lo a falar mais nitidamente e lentamente. Mas não tive a coragem suficiente e pensei, depois, que ficar quieto tenha sido realmente a melhor atitude, já que ele poderia em seguida me perguntar algo, num tom bem-humorado mas sarcástico, como: "E como você pretende entender a minha aula?" De fato posso não falar francês bem, mas consigo entender muito do que ele diz, e o estudo extra-classe compensará o meu déficit de entendimento exato do que ele disse em sala. E, claro, com o tempo -- e o imprescindível estudo da língua -- tudo tende a ficar mais fácil.
Conhecemos ainda as duas gregas e o espanhol, que sabíamos que iriam estudar lá, através de emails enviados das relações internacionais da 3iL. Tanto as gregas quanto o espanhol são pessoas bastante legais e estamos sempre conversando com eles.
Acordamos cedo e no caminho para a "Ecole", vestidos com roupas apropriadas, sentimos o frio que faz de manhã. Com o clima úmido, a nossa respiração ou bafo condensava imediatamente, formando a "fumacinha" do frio. O tempo para chegar lá é de cerca de 15min à pé.
Primeiro tivemos uma breve apresentação do curso com algumas explicações sobre o seu sistema de avaliação e outras coisas por, primeiramente, a senhora responsável pelo segundo ano e pelo sistema pedagógico do curso, depois, por um outro professor, cuja função administrativa tem a ver com isso também.
A primeira aula foi de Analyse Numérique, que eu comparo com Cálculo Numérico da UFPA. Logo recebemos um material da matéria, o que viria se repetir em todas as outras. Mas acontece, para suprir a quantidade de alunos, aproximadamente 80 e pouco, o material vem em caixas. E a chamada também é demorada. Outra coisa interessante é que há uma porção de nomes estrangeiros, dentre os quais, por exemplo, Valber de Souza, e os professores parecem ter alguma dificuldade com um ou outro nome. Inclusive ocorreu que, em uma aula de Redes, o professor, que também é estrangeiro, de algum país árabe, perguntou, antes de mostrar um sorriso, como de quem pergunta algo cuja resposta é óbvia: "vocês estão me entendendo bem? Há alguém aqui que não fala francês?" Juro que quase que levanto a mão, na intenção de prevenir o professor de um eventual erro meu por motivo da minha não-compreensão do que ele disse ou simplesmente de sensibilizá-lo a falar mais nitidamente e lentamente. Mas não tive a coragem suficiente e pensei, depois, que ficar quieto tenha sido realmente a melhor atitude, já que ele poderia em seguida me perguntar algo, num tom bem-humorado mas sarcástico, como: "E como você pretende entender a minha aula?" De fato posso não falar francês bem, mas consigo entender muito do que ele diz, e o estudo extra-classe compensará o meu déficit de entendimento exato do que ele disse em sala. E, claro, com o tempo -- e o imprescindível estudo da língua -- tudo tende a ficar mais fácil.
Conhecemos ainda as duas gregas e o espanhol, que sabíamos que iriam estudar lá, através de emails enviados das relações internacionais da 3iL. Tanto as gregas quanto o espanhol são pessoas bastante legais e estamos sempre conversando com eles.
Passeio e Pré-entrada
O primeiro contato oficial com 3iL foi dia 11/09, na pré-entrada ("pré-rentrée"). Foi de fato interessante que havia estudantes de outros países, falando diferentes línguas. Também foi um ponta-pé inicial na adequação à instituição, que, por sinal, tem uma estrutura muito boa, e cujos professores e dirigentes foram, todos, até então, muito simpáticos e atenciosos.
Fomos conduzidos primeiramente a um auditório, onde os professores responsáveis pela gestão de cada período acadêmico (períodos, no total, correspondentes a 3 anos) nos foram apresentados. Ainda, preenchemos um formulário para inscrição administrativa, meu amigo
Walber e eu tivemos a honra de ser ajudados nesse processo inteiro pela professora responsável pelo nosso período, o segundo ano (2ème anée).
Mais tarde, fizemos uma desgastante caminhada sob o sol do verão Europeu central rumo a um restaurante universitário.
A comida era razoável e podíamos escolher tudo o que nos era oferecido num estilo "self-service" pagando um preço fixo por isso: 2,85Eur.
O meu prato foi macarrão, peixe (não sabia que espécie era), batatas fritas e um acompanhamento de coisas aparentemente cruas ou cozidas e refrigeradas (sim, eu não sabia também exatamente o que aquilo era). A sobremesa era uma espécie de sonho e um leite coalhado, que vinha numa embalagem de iogurte. Fiquei satisfeito.
A minha "parraine" ainda propôs de irmos dar entrada na "carte de séjour", mas logo ela se lembrou -- e depois constatou num posto de atendimento da "préfecture" que ficava no mesmo complexo do restaurante universátio -- que era necessário marcar um horário para dar entrada neste documento. Como resultado ela conversou comigo perguntndo se não teria problemas se ela fosse tentar resolver algumas coisas para a amiga dela dos Camarões que estava também se acomodando em Limoges para estudar na 3iL. Walber e eu voltamos sozinhos, após termos, com a minha "parraine" ao lado, traçado um caminho no meu mapa da cidade.
Dia 12/09, o encontro começou na frente da 3iL às 13:30. Finalmente conhecemos a senhorita das relações internacionais da instituição.
Realmente, como nossos professores brasileiros já nos tinham relatado, é ela uma pessoa muito simpática, e foi bastante gentil no tratamento conosco.
O passeio em si começaria da frente de uma agência de turismo de Limoges, dentro de um trenzinho que muito lembrava trenzinhos de passeio infantil.
Foi uma tarde bonita e ensolarada. As pessoas sorriam quando viam o trenzinho e acenavam às vezes. No caminho, ouvíamos uma descrição dos prédios e lugares pelos quais passávamos. O passeio terminou na imponente catedral medieval de Limoges. Já tínhamos eu, Walber e seu "parrain", visitado esse ponto turístico da cidade, mas havia algo ao lado da catedral que era definitivamente mais assombroso: caminhos subterrâneos datanto de cerca de dois
mil anos.
A guia de turismo local explicava a história de lá num ritmo que revelava sua experiência e mister sobre o assunto e na condução da visita. Por causa de sua linguagem correta e bem cadenciada, eu pude entender muito do que ela nos dizia e isso foi bastante valioso num momento único como aquele. A bem da verdade, pelo que eu entendi, a parte que realmente tinha cerca de 2000 anos era um pequeno arqueduto romano que ficava embaixo da escadaria (escorregadia, segundo as palavras da guia, mas contrariamente à minha experiência) pela qual descemos os
caminhos subterrâneos. Podíamos ver o estreito arqueduto, iluminado por duas ou três lâmpadas através de um degrau em falso da escadaria. Caminhando pelos corredores úmidos, vimos uma entrada na parede que era uma espécie de geladeira ou dispensa dos habitantes de tempos remotos (não posso assegurar a época). Enfiei também o braço, por convite da guia de turismo, num buraco da parede que era usado para guardar objetos supostamente de valor. Aqueles caminhos, conforme aprendemos, foram usados em várias épocas, muitas vezes com propósitos distintos. A exposição
acabou com a guia nos contando uma história de um possível fantasma que existia por ali de uma certa dama de nome Vallery. Segundo o que pude entender, a lenda diz que Vallery tinha uma admirador, senhor medieval poderoso, que, tendo seu amor por ela não correspondido, ordenou a morte da pobre senhorita.
Ainda de acordo com a lenda, a cabeça decapitada de Vallery estaria em algum lugar daquele subsolo. Vallery tinha se convertido ao cristianismo imediatamente ao ver algum objeto -- muito provavelmente religioso -- de que eu não me recordo. Diz-se que quem avistar a cabeça também se converterá imediatemente, se ainda não for cristão. Posso estar enganado em algum ou vários pontos da história que me foi contada por não ter total segurança na minha compreensão da língua francesa, mas a história era por aí.
Depois, demos todos um passeio pelo jardim l'Evêché da Catedral e voltamos à pé rumo à 3iL. Antes de chegarmos ao destino final, quebramos o caminho para a casa do "parrain" do Walber, Guillaume, que nos sugeriu de fazê-lo a fim de irmos comprar, logo, algumas coisas no supermercado e evitar o longo caminho de volta da 3iL para a casa dele, de onde sairíamos de carro.
Fomos conduzidos primeiramente a um auditório, onde os professores responsáveis pela gestão de cada período acadêmico (períodos, no total, correspondentes a 3 anos) nos foram apresentados. Ainda, preenchemos um formulário para inscrição administrativa, meu amigo
Walber e eu tivemos a honra de ser ajudados nesse processo inteiro pela professora responsável pelo nosso período, o segundo ano (2ème anée).
Mais tarde, fizemos uma desgastante caminhada sob o sol do verão Europeu central rumo a um restaurante universitário.
A comida era razoável e podíamos escolher tudo o que nos era oferecido num estilo "self-service" pagando um preço fixo por isso: 2,85Eur.
O meu prato foi macarrão, peixe (não sabia que espécie era), batatas fritas e um acompanhamento de coisas aparentemente cruas ou cozidas e refrigeradas (sim, eu não sabia também exatamente o que aquilo era). A sobremesa era uma espécie de sonho e um leite coalhado, que vinha numa embalagem de iogurte. Fiquei satisfeito.
A minha "parraine" ainda propôs de irmos dar entrada na "carte de séjour", mas logo ela se lembrou -- e depois constatou num posto de atendimento da "préfecture" que ficava no mesmo complexo do restaurante universátio -- que era necessário marcar um horário para dar entrada neste documento. Como resultado ela conversou comigo perguntndo se não teria problemas se ela fosse tentar resolver algumas coisas para a amiga dela dos Camarões que estava também se acomodando em Limoges para estudar na 3iL. Walber e eu voltamos sozinhos, após termos, com a minha "parraine" ao lado, traçado um caminho no meu mapa da cidade.
Dia 12/09, o encontro começou na frente da 3iL às 13:30. Finalmente conhecemos a senhorita das relações internacionais da instituição.
Realmente, como nossos professores brasileiros já nos tinham relatado, é ela uma pessoa muito simpática, e foi bastante gentil no tratamento conosco.
O passeio em si começaria da frente de uma agência de turismo de Limoges, dentro de um trenzinho que muito lembrava trenzinhos de passeio infantil.
Foi uma tarde bonita e ensolarada. As pessoas sorriam quando viam o trenzinho e acenavam às vezes. No caminho, ouvíamos uma descrição dos prédios e lugares pelos quais passávamos. O passeio terminou na imponente catedral medieval de Limoges. Já tínhamos eu, Walber e seu "parrain", visitado esse ponto turístico da cidade, mas havia algo ao lado da catedral que era definitivamente mais assombroso: caminhos subterrâneos datanto de cerca de dois
mil anos.
A guia de turismo local explicava a história de lá num ritmo que revelava sua experiência e mister sobre o assunto e na condução da visita. Por causa de sua linguagem correta e bem cadenciada, eu pude entender muito do que ela nos dizia e isso foi bastante valioso num momento único como aquele. A bem da verdade, pelo que eu entendi, a parte que realmente tinha cerca de 2000 anos era um pequeno arqueduto romano que ficava embaixo da escadaria (escorregadia, segundo as palavras da guia, mas contrariamente à minha experiência) pela qual descemos os
caminhos subterrâneos. Podíamos ver o estreito arqueduto, iluminado por duas ou três lâmpadas através de um degrau em falso da escadaria. Caminhando pelos corredores úmidos, vimos uma entrada na parede que era uma espécie de geladeira ou dispensa dos habitantes de tempos remotos (não posso assegurar a época). Enfiei também o braço, por convite da guia de turismo, num buraco da parede que era usado para guardar objetos supostamente de valor. Aqueles caminhos, conforme aprendemos, foram usados em várias épocas, muitas vezes com propósitos distintos. A exposição
acabou com a guia nos contando uma história de um possível fantasma que existia por ali de uma certa dama de nome Vallery. Segundo o que pude entender, a lenda diz que Vallery tinha uma admirador, senhor medieval poderoso, que, tendo seu amor por ela não correspondido, ordenou a morte da pobre senhorita.
Ainda de acordo com a lenda, a cabeça decapitada de Vallery estaria em algum lugar daquele subsolo. Vallery tinha se convertido ao cristianismo imediatamente ao ver algum objeto -- muito provavelmente religioso -- de que eu não me recordo. Diz-se que quem avistar a cabeça também se converterá imediatemente, se ainda não for cristão. Posso estar enganado em algum ou vários pontos da história que me foi contada por não ter total segurança na minha compreensão da língua francesa, mas a história era por aí.
Depois, demos todos um passeio pelo jardim l'Evêché da Catedral e voltamos à pé rumo à 3iL. Antes de chegarmos ao destino final, quebramos o caminho para a casa do "parrain" do Walber, Guillaume, que nos sugeriu de fazê-lo a fim de irmos comprar, logo, algumas coisas no supermercado e evitar o longo caminho de volta da 3iL para a casa dele, de onde sairíamos de carro.
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sábado, 6 de setembro de 2008
Sábado de sol
Hoje é aniversário do meu colega de quarto e xará. Segundo ele, ele ficará "o dia inteiro" no Skype, se comunicando com sua família, que vai lhe fazer uma festinha a distância. Para comemorar por aqui, estamos preparando um almoço quase tipicamente brasileiro: arroz com feijão, toucinho e salsicha. Acho que seria mais brasileiro se tivesse carne de boi ou um frango, "mais bon"...
Saí hoje de manhã, pela primeira vez sozinho, para comprar os ingredientes do tempero do feijão. Como sempre, quase não havia pessoas na rua. A venda de legumes e frutas que eu conheço fica um pouquinho longe daqui, mas nem tanto assim. A comunicação com a dona do estabelecimento foi bastante objetiva e rápida. Na volta, passei pela frente do apartamento para onde vamos nos mudar, que fica no caminho, e aproveitei para voltar pelo parque bonito que existe lá perto. O dia estava ensolarado e até suei um pouco com a caminhada, que também inclui subidas e decidas. Um pouco mais tarde, depois que cheguei, até choveu com sol!
Ainda hoje, vou acompanhar o jogo do Remo contra o Rio Branco, que é decisivo para o Remo. Aqui serão 23:00. Vesti até uma camisa do clube. Vamos lá LEÃO!!
Saí hoje de manhã, pela primeira vez sozinho, para comprar os ingredientes do tempero do feijão. Como sempre, quase não havia pessoas na rua. A venda de legumes e frutas que eu conheço fica um pouquinho longe daqui, mas nem tanto assim. A comunicação com a dona do estabelecimento foi bastante objetiva e rápida. Na volta, passei pela frente do apartamento para onde vamos nos mudar, que fica no caminho, e aproveitei para voltar pelo parque bonito que existe lá perto. O dia estava ensolarado e até suei um pouco com a caminhada, que também inclui subidas e decidas. Um pouco mais tarde, depois que cheguei, até choveu com sol!
Ainda hoje, vou acompanhar o jogo do Remo contra o Rio Branco, que é decisivo para o Remo. Aqui serão 23:00. Vesti até uma camisa do clube. Vamos lá LEÃO!!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A viagem
Fazia bastante tempo que eu não viajava de avião. A ultima vez foi em 2000 ou 2001, se não me engano, para Brasilia. Também era a unica viagem de avião de que eu me lembrava, ja que todas as outras aconteceram quando eu mal sabia que estava no mundo.
Voar de novo seria um prazer. E claro que eu sentia um pouco de medo, mas eu tinha fé de que tudo daria certo. A viagem ao Rio de Janeiro -- nunca tinha ido ao Rio -- abriu a despedida. Dei um até logo a minha familia -- sim, quando a viagem dura um ano somente, acho que ainda se pode dizer "até logo". Logo eu sentaria na primeira poltrona de avião de mais outras duas que ainda estavam me esperando na França quando eu chegasse la.
No avião, comecei a entrar no clima, pois uma porção de passageiros era francesa. E la éramos 4 brasileiros, que, no meio do voo, se levantaram de suas poltronas para conversar. Todos estavamos ansiosos com tudo aquilo. Ao chegar no Rio, depois de 3:20 de vôo, contactamos nossos parentes, e depois de andar pelo aeroporto, fomos almocar "churraesco de picaenha", em carioequês. Foi legal ver um pedacinho do Rio representado pelo aeroporto Tom Jobim.
Os momentos antes de pegar o aviao para a franca foram bastante unicos. Nunca vou me esquecer daquela sensacao de que eu estava prestes a fazer uma viagem intercontinental. Aquele grande 747 la fora nos esperando. Quando entramos nele, as aeromoças não falavam português, mas francês ou inglês. Era cada vez mais concreto que eu estava prestes a fazer uma viagem para a França! Quando o aviao decolou, eu fechei os olhos por um instante, fiz uma oração, mesmo que eu nao tivesse total certeza de que ela fosse ouvida, e passei a contar as horas. Eu ja tinha feito amizade com duas senhoras brasileiras que sentavam ao meu lado e que foram muito legais comigo, me oferecendo ate uma caixa de barra de cereais porque eu ja sentia fome antes do servico de comida do aviao. Espero que elas estejam se divertindo muito pela Europa. Saimos às 16:20 do Brasil, para chegar às 2:30 do Brasil -- e 7:30 da França. So a ideia de que sairiamos de tarde e chegariamos de manha dentro de 9:40 eu ja achava fantastica! Nao consegui dormir bem no aviao nesse tempo, e varias vezes eu consultava o sistema de localizacao geografica da minha poltrona.
A primeira estupefação foi quando eu despretensiosamente olhei a telinha e vi que passavamos sobre uma tal ilha de Palmas. Quando olhei para baixo, la estava um pedacao de terra todo iluminado. Estavamos cada vez mais proximos da Europa. Enfim eu a conheceria!
Ao chegar no aeroporto, o clima era como de ar-condicionado e achei tudo o maximo! So de ver que tudo era escrito em frances... Eu mal podia acreditar que eu estava na França; que eu consegui; que deu tudo certo. Demorou cerca de 2 horas para que a ficha caisse. Mas a maratona nao tinha terminado. Ainda tinha o avião para Limoges. Foi la que a revista foi mais severa e me tirou um desodorante colocado diligentemente pela minha mãe, que foi esperta ao escolher um frasco no final, ja esperando esse incidente.
Eu ja estava acostumado com poltronas e comida de aviao no voo para Limoges. Eu so queria chegar o mais rapido possivel ao destino. Paris estava nublada, mas em Limoges fazia um agradavel sol. Logo percebi a calmaria desta cidade em seu pequeno aeroporto.
Prefiro dar gracas a Deus por ter dado tudo certo.
Obs.: o post atrasado se deve ao fato de so agora eu ter disponivel um computador que posso usar por um periodo mais prolongado. Os proximos posts nao seguirao uma continuacao initerrupta, porque eu nao sei quando terei um computador e nem se terei tempo para estar sempre postando.
Voar de novo seria um prazer. E claro que eu sentia um pouco de medo, mas eu tinha fé de que tudo daria certo. A viagem ao Rio de Janeiro -- nunca tinha ido ao Rio -- abriu a despedida. Dei um até logo a minha familia -- sim, quando a viagem dura um ano somente, acho que ainda se pode dizer "até logo". Logo eu sentaria na primeira poltrona de avião de mais outras duas que ainda estavam me esperando na França quando eu chegasse la.
No avião, comecei a entrar no clima, pois uma porção de passageiros era francesa. E la éramos 4 brasileiros, que, no meio do voo, se levantaram de suas poltronas para conversar. Todos estavamos ansiosos com tudo aquilo. Ao chegar no Rio, depois de 3:20 de vôo, contactamos nossos parentes, e depois de andar pelo aeroporto, fomos almocar "churraesco de picaenha", em carioequês. Foi legal ver um pedacinho do Rio representado pelo aeroporto Tom Jobim.
Os momentos antes de pegar o aviao para a franca foram bastante unicos. Nunca vou me esquecer daquela sensacao de que eu estava prestes a fazer uma viagem intercontinental. Aquele grande 747 la fora nos esperando. Quando entramos nele, as aeromoças não falavam português, mas francês ou inglês. Era cada vez mais concreto que eu estava prestes a fazer uma viagem para a França! Quando o aviao decolou, eu fechei os olhos por um instante, fiz uma oração, mesmo que eu nao tivesse total certeza de que ela fosse ouvida, e passei a contar as horas. Eu ja tinha feito amizade com duas senhoras brasileiras que sentavam ao meu lado e que foram muito legais comigo, me oferecendo ate uma caixa de barra de cereais porque eu ja sentia fome antes do servico de comida do aviao. Espero que elas estejam se divertindo muito pela Europa. Saimos às 16:20 do Brasil, para chegar às 2:30 do Brasil -- e 7:30 da França. So a ideia de que sairiamos de tarde e chegariamos de manha dentro de 9:40 eu ja achava fantastica! Nao consegui dormir bem no aviao nesse tempo, e varias vezes eu consultava o sistema de localizacao geografica da minha poltrona.
A primeira estupefação foi quando eu despretensiosamente olhei a telinha e vi que passavamos sobre uma tal ilha de Palmas. Quando olhei para baixo, la estava um pedacao de terra todo iluminado. Estavamos cada vez mais proximos da Europa. Enfim eu a conheceria!
Ao chegar no aeroporto, o clima era como de ar-condicionado e achei tudo o maximo! So de ver que tudo era escrito em frances... Eu mal podia acreditar que eu estava na França; que eu consegui; que deu tudo certo. Demorou cerca de 2 horas para que a ficha caisse. Mas a maratona nao tinha terminado. Ainda tinha o avião para Limoges. Foi la que a revista foi mais severa e me tirou um desodorante colocado diligentemente pela minha mãe, que foi esperta ao escolher um frasco no final, ja esperando esse incidente.
Eu ja estava acostumado com poltronas e comida de aviao no voo para Limoges. Eu so queria chegar o mais rapido possivel ao destino. Paris estava nublada, mas em Limoges fazia um agradavel sol. Logo percebi a calmaria desta cidade em seu pequeno aeroporto.
Prefiro dar gracas a Deus por ter dado tudo certo.
Obs.: o post atrasado se deve ao fato de so agora eu ter disponivel um computador que posso usar por um periodo mais prolongado. Os proximos posts nao seguirao uma continuacao initerrupta, porque eu nao sei quando terei um computador e nem se terei tempo para estar sempre postando.
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