Na primeira partida de futebol que jogamos com amigos em Limoges, com 6 jogadores, constatamos que o médio brasileiro tem vantagem média maior no futebol do que o médio francês. O meu terceto ganhou por 3 ou 4 gols de vantagem. Deu para suar, e logo depois choveu.
A segunda bola foi no campo de futebol da Université de Limoges. Encontramos um pessoal que já estava treinando naquele grande campo e decidimos jogar um contra o outro. Onze contra onze. Fiquei honrado com o desejo convicto do "capitão" do nosso time de que fôssemos os atacantes. Senti uma responsabilidade grande por estar representando ali o futebol brasileiro. Há muita gente no Brasil que joga bem, tenho muitos amigos e conhecidos que jogam. Como eu nunca joguei lá essas coisase poucas vezes saí para jogar, eu contava principalmente com a minha garra, minha marca principal do meu estilo de jogo : ). Mas correr, meter o pé e marcar eles também sabiam. Foi difícil, havia marcação em mim a todo instante e o nosso time perdeu muita bola por não marcar direito. Mas, até sairmos (antes de o jogo acabar, porque estávamos de carona com o parrain do Walber, que tinha marcado uma consulta com o médico) não levamos nenhum gol -- como também não fizemos. No outro dia, na 3iL perguntei a um colega como ficou o jogo e ele disse que (quase igual), algo como 4x4 ou 4x5. O fato de ele não se lembrar exatamente o placar evidencia a diferença de importância dada ao futebol na França e no Brasil. No Brasil, seria capaz de um dos jogadores se lembrar deste placar depois de anos : ).
Mas o mais incrível foi quando, dois dias depois do jogo, abri a minha caixa de entrada eletrônica e vi um email com um conteúdo inusitado. Tratava-se de um representante de um clube de futebol a 18Km de Limoges que me convidava a participar do seu time de futebol, se eu estiver interessado!!! Eu pensei: "Caramba!! Será que tinha olheiro naquela bola que apreciou o meu futebol-arte brasileiro?!" huahuahua. Neste momento eu me senti um pouco como esses jogadores brasileiros que vão jogar um tempo no exterior e fiquei muito arrependido de não ter dedicado mais tempo no Brasil ao futebol, desde criança... Se eu soubesse jogar pelo menos como um dos meus amigos que jogam bem, eu iria lá fazer uma visita no clube para ver como é que funciona lá : ). E um pouco decepcionante não poder representar o Brasil nesse quesito como ele merece, mas infelizmente não há nada que eu possa fazer agora para mudar essa situação.
V.
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